ECOSSISTEMAS DIGITAIS, TECNOLOGIAS E COMPETÊNCIAS DE APRENDIZAGEM
A aprendizagem ao longo da vida
assume uma relevância cada vez maior, uma aliança entre contextos formais e
informais de aprendizagem, potencializados pela tecnologia, conectando os
indivíduos, criando redes dinâmicas e ecológicas capazes de responder aos
desafios da sociedade e dos seus ecossistemas digitais.
As “novas” sociedades de
conhecimento necessitam de sistemas educacionais, onde as salas de aula estejam
conectadas a instrumentos e redes de conhecimento sempre atualizados, pois a
relação entre professor e estudante está a transformar-se num ecossistema de
conhecimento, estendendo-se ao longo da
vida do estudante, sendo preciso criar e manter recursos humanos capazes de
melhorar a competitividade da sua organização, por meio da aplicação do seu
conhecimento.
Associado ao campo educativo, e
com a disseminação das tecnologias e o crescente acesso à internet, o termo
ecossistemas digitais online de aprendizagem vem ganhando um significado cada vez mais relevante.
Segundo Wilkinson, a arquitetura fundamental de um ecossistema desta natureza
deve possuir os seguintes elementos:
a) uma taxonomia de conteúdos partilhada;
b) sistemas
de gestão de aprendizagem (LMS — Learning Management Systems);
c) sistemas
de gestão de conteúdos de aprendizagem (LCMS — Learning Content Management
Systems);
d)
repositórios de objetos de aprendizagem;
e) sistemas
de integração e gestão de fluxo de trabalho (workflow);
f) motores de
avaliação (Assessment Engine);
g) motores de
simulação e jogos (Game Engine);
h)
ferramentas de colaboração e discussão; e
i) elementos
de suporte e orientação (2002).
O desenvolvimento de ecossistemas
constituídos por ambientes de aprendizagem complementares baseados no conceito
de Ecologia requer uma mudança significativa na forma de pensar o ato
educativo. O desafio é criar ambientes férteis, dinâmicos, vivos e
diversificados onde as atividades de aprendizagem, o conhecimento e as ideias
possam nascer, crescer e evoluir. E, para isso, é necessária uma abordagem que
não se limite a considerar apenas os aspetos tecnológicos relacionados com uma
aprendizagem via web, mas que privilegiem uma abordagem ecológica, integrada e
holística, em suma uma abordagem que privilegie uma visão blended da
aprendizagem.
Nesses ecossistemas, os fatores
bióticos são as comunidades de aprendizagem, que são os professores, os
tutores, os estudantes, os conteúdos que representam a parte viva do sistema.
Por sua vez, as tecnologias ou as ferramentas de aprendizagem representam os
fatores abióticos, as partes não vivas do ecossistema. As fronteiras dos
ambientes de aprendizagem, em analogia às fronteiras de um sistema biológico,
definem os limites do ecossistema de aprendizagem, sendo que estes são
determinados por influências internas, tais como a construção do conhecimento
no seu seio, os objetivos educacionais, as atividades de aprendizagem e por
influências externas, tais como aspetos sociais e culturais. Como num sistema
biológico, os elementos da comunidade podem formar grupos espontaneamente,
podendo interagir uns com os outros.
MOREIRA, Antonio. Reconfigurando
ecossistemas digitais de aprendizagem com tecnologias audiovisuais. Unirede: Revista de Educação a Distância. Vol.5. Jan. 2018.
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