A tecnologia nas aulas de História
É notável que as diferentes tecnologias digitais
potenciam, a priori, o desenvolvimento de uma consciência crítica, uma
vez que através delas se pode fazer a ponte entre o passado e o presente. Ao questionar
quantas vezes os professores de História
procuram que os seus estudantes formulem raciocínios de causalidade complexa e
consigam perceber os acontecimentos a nível não só conjuntural, mas também
estrutural? É percebido que a possibilidade de desenvolver este raciocínio a um
nível mais prático, que a tecnologia, normalmente, pode possibilitar, tal como
a visualização de mapas interativos, a construção de bases de dados com
informação variada ou até a participação num jogo de computador, contribuirá,
certamente, para que os estudantes adquiram as competências definidas e
desejadas.
A História, apesar de todas estas dificuldades, ao tratar
do passado e dos seres humanos desse mesmo passado, apresenta uma série de
características especiais enquanto disciplina: tem a questão da temporalidade,
tem a questão da multiperspectiva, tem também a questão da complexidade e tem
ainda uma série de conceitos estruturais que são determinantes na capacidade de
verdadeiramente compreender o que é ensinado em qualquer aula de História.
Assim, verifica-se a necessidade de se explicar aos
estudantes no ensino da História, que para perceberem um dado acontecimento,
não podem olhar para ele de forma isolada, mas sim como parte de um todo maior
e mais complexo, sendo que as ações individuais e o próprio tempo podem
contribuir para que se produzam resultados diferentes.
Na realidade, a usabilidade das tecnologias tornou-se um
imperativo. O fácil acesso à informação e urgência de atualização de
conhecimentos delega a professores e estudantes novas experiências, com
tendência para a responsabilização e controle da aprendizagem ao próprio
estudante, apoiado pelo professor, em tarefas de pesquisa, autonomização e
regulação. A disponibilidade de outros materiais além dos impressos que
concorrem com o multimídia e com dispositivos informáticos aliciantes e comuns,
permitiu uma aproximação aos territórios educativos e ambientes de aprendizagem
com informação disponível online desafiando uma dinâmica diferente e
apontando novos limites para a liberdade de ensinar e de aprender (MONTEIRO;
MOREIRA, LENCASTRE, 2015).
TRINDADE Sara Dias; MOREIRA, José António. Tecnologias móveis e a
recriação digital na construção do conhecimento histórico. Revista
Eletrônica de Educação, v.11, n.2, p. 637-652, jun./ago., 2017.
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